domingo, 17 de outubro de 2010

O Brincar e o Desenvolvimento Infantil

Vários autores que trabalham com este tema, o brincar como método de aprendizagem, ressaltam a importância da brincadeira na vida de uma criança. Mais que um método, o brincar proporciona as condições essenciais para o desenvolvimento infantil, pois através dele, a criança poderá desenvolver capacidades importantes que utilizará no decorrer de toda sua vida.

DESCOBRINDO O MUNDO
Desde seus primeiros meses de vida, a criança pratica várias tentativas de ver, de sentir, em fim, de descobrir o mundo à sua volta. Ela procura, através de seu corpo, explorar o ambiente onde está situado.
Piaget supõe que o bebê realiza o processo adaptativo básico de tentar compreender o mundo que o cerca. Ele assimila as informações que lhe chegam na limitada série de esquemas sensório-motores com que nasceu – como olhar, escutar, sugar, agarrar – e acomoda esses esquemas baseado em suas experiências. Segundo Piaget, este é o ponto de partida de todo o processo de desenvolvimento cognitivo.
Esses momentos de exploração são extremamente importantes para treinar o esquema corporal, a lateralidade, a percepção e outras potencialidades necessárias no decorrer da vida, por isso não se deve impedir a criança de praticá-los, pois será a partir deles que ela irá treinar seus movimentos motores, desenvolver sua independência, maturidade e vivenciar novas situações.


A BRINCADEIRA NA ESCOLA
No período pré-escolar, o brincar desempenha forte fator na socialização da criança, pois ela começa a interagir com seus professores e colegas de classe. Esse tipo de situação fará com que o individuo aprenda a se portar de maneira adequada em situações distintas, aprenderá que para se ter uma boa relação, é preciso respeitar regras, respeitar o espaço, opiniões e idéias de outras pessoas, mesmo que não esteja de acordo com as mesmas.
O jogo e o brinquedo proporcionam, sem dúvida nenhuma, a interação ideal entre alunos e professores, por isso, é necessário que eles sejam incluídos como agentes do aprendizado na elaboração do plano pedagógico utilizado.

A FALTA DO BRINCAR
Além dos educadores, a família também possui grande influência nessa questão da inserção das brincadeiras na vida da criança. É preciso que os pais se conscientizem de que o brincar é mais do que somente um passa tempo, elas são uma das formas mais eficientes que a criança possui para conhecer e se inserir no meio em que vive.
Segundo Vigotski (1984, p.162), “ao brincar, a criança está acima da própria idade, acima de seu comportamento diário, maior do que é na realidade”. Na medida em que a criança imita os mais velhos em suas atividades diárias, ela cria oportunidades para seu desenvolvimento intelectual e também social. Por isso a importância da interação dos adultos, sejam familiares ou professores, com as crianças.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A Importância das Etapas do Desenvolvimento Motor nas Crianças de 0 a 6 anos

Hoje em dia se fala que as crianças só faltam nascer falando, pois são cada vez mais articuladas em seu desenvolvimento, não só motor, mas também no sensorial. A verdade é que a gravidez também é diferente daquela dos tempos de nossas avós. Atualmente a mãe grávida, em geral, trabalha fora até dias antes do nascimento, existem uma série de recursos no mercado para cuidar da gestante e do bebê. Os exames de ecografia estão cada vez mais desenvolvidos e a vida está num ritmo bastante acelerado. O bebê, que antigamente tinha uma vida intra uterina tranquila e silenciosa, hoje tem à sua volta uma enormidade de estímulos da vida moderna ainda no ventre materno.
Então chega o dia tão esperado do nascimento. O bebê nasce e junto com ele nasce a família, no caso do primeiro filho. Os recém-nascidos já são espertinhos e logo já nos fitam com seus olhinhos e, quando menos esperamos, já estão firmando a cabecinha, rolando, sentando e caminhando.
As aquisições motoras acontecem gradualmente no desenvolvimento normal. Cada fase tem o seu encanto e eu costumo dizer que dura o tempo necessário que cada criança necessita. Não se deve comparar o desenvolvimento motor de uma criança com a dos coleguinhas nem irmãos, pois cada um é único. Existem, porém, os marcos do desenvolvimento motor normal e devemos estar atentos para suas aquisições conforme a idade da criança, mas tendo sempre em mente que eles pode variar um pouco de situação pra situação.
Existe uma certa ansiedade dos pais para que a criança adquira esses marcos motores exatamente no tempo dito “normal”, ou ainda antes disso. É comum ouvir dos pais orgulhosos: “O Fulaninho caminhou com 10 meses”; ou ainda: “A Beltraninha nem engatinhou, caminhou direto”. No entanto, quando isso acontece, deve-se ficar atento. Muitas vezes a antecipação de fases do desenvolvimento pode refletir em problemas. Usando os exemplos anteriores, uma criança que caminha com 10 meses não tem a maturidade e massa muscular suficiente para tal função, o que pode acarretar acidentes. Uma criança que não engantinhou, não desenvolveu toda a função do tronco e reforço muscular para a caminhada, podendo ter problemas com equilíbrio. Isso também não é motivo de os pais ficarem assustados, mas sim alertas. É necessário ficar atento às fases do desenvolvimento motor em que seu filho(a) se encontra e não estimulá-lo a pular fases.
Outra questão que gera polêmica é o uso do andador. Seu uso não deve ser estimulado por duas razões. A criança que ainda não teria a maturidade para caminhar,  com o andador, caminha e corre por todo lado, o que dá a falsa idéia de que a criança já está pronta a realizar estes movimentos, sendo grande causador de acidentes domésticos sérios.  A outra razão é que ele não deixa a criança adquirir sozinha noções de equilíbrio e força necessárias para a caminhada, ele facilita artificialmente a experiência motora do bebê não preparando ele integralmente para o caminhar futuro.
Devemos estar sempre atentos e buscar informação e ajuda profissional caso seja necessário. A aquisição das habilidades motoras por parte da criança deve ser acompanhada pelos pais e pela escola. Quanto mais cedo trabalharem-se eventuais dificuldades, mais fácil será para a criança desenvolver-se por completo e no tempo certo. E por último, mas não menos importante, é curtir cada momento e conquista do seu bebê, afinal este tempo não volta mais e costuma deixar muitas saudades.

* artigo escrito para o Informativo Eletrônico da Escola Pólo Infantil.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Começando a vida intra net...

É com prazer e entusiasmo que inicia-se este blog sobre as questões que envolvem a fisioterapia pediátrica. Seus tratamentos, técnicas, prevenções, intervenções e orientações para familiares e escola.
Nossa intenção é também receber a sua opinião e dúvidas sobre os assuntos postados, interagindo de forma a criar um espaço para troca de experiências.
Pesquisas realizadas vêm comprovando a importância da atuação na prevenção, detecção e atendimento precoce. As crianças atendidas em programas de intervenção precoce necessitam de menor assistência no futuro.
Toda criança tem sua carga de experiência própria, é um ser especial, único e tem o direito de ser tratada como tal, ter total liberdade para explorar todo o universo que a cerca, seja ela normal ou portadora de alguma limitação. A implantação de um programa de estimulação precoce simultâneo ao acompanhamento do desenvolvimento de cada criança é de responsabilidade daqueles que formam o mundo atuante da promoção da saúde e dos pais e/ou responsáveis que convivem no dia a dia da criança. Desta forma, cria-se condições para que a criança desenvolva integralmente suas habilidades motoras, pois estimular é oferecer à criança situações, pessoas e objetos que tenham significado, despertando assim, desejo de agir, ou reagir sobre os estímulos que lhe são oferecidos.